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São Paulo, 14 Dezembro 2018 - 17:36 PATRONATO ENAS BRASIL    Roma, 14 Dicembre 2018 - 20:36
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PARA SEGURAR DÓLAR, GOVERNO MUDA IOF SOBRE CAPTAÇÕES NO EXTERIOR
 
 
 
 

BRASÍLIA e RIO - O governo agiu nesta quinta-feira novamente para tentar interromper a valorização do real ante o dólar e ampliou a incidência da cobrança de 6% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a captação de dinheiro no exterior. Empréstimos contratados em outros países e títulos de dívida corporativa emitidos no mercado internacional, que sejam quitados em até três anos, passam a ter de pagar 6% do valor da operação em IOF, segundo decreto do Diário Oficial da União. Desde abril do ano passado, essa taxa de IOF atingia empréstimos com prazo de até dois anos.

A medida foi adota depois de o dólar comercial acumular queda de 7,97% no ano em relação ao real. Na véspera da medida, quarta-feira, houve ligeira alta para R$ 1,718 no mercado à vista brasileiro, influenciada pela elevada compra de dólares do Banco Central no mercado à vista e futuro.

Com a nova medida, o governo tenta reduzir o ingresso de dólares no país e evitar uma valorização excessiva do real, que encarece exportações e reduz mercado para produtos brasileiros no exterior.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificou a medida dizendo que ela pune a entrada de capital especulativo no país, pois é voltada para operações de curto prazo. Segundo ele, o Brasil está sendo inundado por dólares em função da elevada liquidez que existe hoje no mercado internacional.

Mantega explicou que Europa, Estados Unidos e Japão estão injetando dinheiro no mercado e baixando juros para recuperar suas economias, mas a estratégia não está resultando em investimentos produtivos. Como esses mercados estão em crise, os bancos estão optando por usar o dinheiro para ganhar em cima de taxas de juros mais atraentes pagas por países emergentes.

- Nos bancos europeus, um não confia no outro, mas eles têm que fazer alguma coisa com esse dinheiro. Por isso, uma parte dele acaba escorregando para os emergentes - disse o ministro.

Para analistas, medida será inócua

Mas a maioria dos analistas acredita que a medida terá poucos efeitos sobre a cotação da moeda. Segundo Jorge Knauer, diretor de tesouraria do Banco Prosper, as empresas brasileiras vinham captando no mercado externo este ano por prazos mais longos e, por isso, a medida pode ser considerada "inócua".

- O dólar abriu em alta no boato do impacto das medidas e passou a cair no fato: a medida é inócua ou próxima de inócua. O mercado viu que o efeito não é tão grande ou devastador como se imagina - afirma Knauer.

Para Flávio Samara, economista da LCA, os efeitos práticos da extensão do prazo serão "bastante limitados" no câmbio e nas operações de captação.

- O custo das captações vai aumentar, o que pode tornar as empresas um pouco mais cautelosas, mas os recursos externos são necessários para financiar investimentos no país e não é do interesse nem do governo fechar completamente essa fonte. É mais uma sinalização, de que o governo está insatisfeito já com a taxa de R$ 1,70. Não foi necessário nem que alcançasse os patamares que vimos no ano passado, de até R$ 1,55.

Neste ano, as captações lançadas por empresas brasileiras no exterior têm vencimentos entre 2015 e 2041. Elas, portanto, não serão afetadas pela medida. Foram captados US$ 16,525 bilhões por empresas como Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Petrobras e Vale, por exemplo. A maior captação foi da Petrobras, de US$ 7 bilhões em 1º de fevereiro. A única captação com prazo abaixo de três anos foi da Votorantim.

Governo continuará agindo

Segundo Mantega, o governo vai continuar trabalhando para evitar a entrada de capital especulativo no país, pois ela fortalece o real e reduz a competitividade da indútria brasileira. Ele afirmou que, além de usar o IOF, o governo vai continuar comprando excesso de dólares no mercado.

- O governo não ficará assistindo impassível a essa movimento. Temos que diminuir esse entusiasmo pelo Brasil - afirmou ele, lembrando que até mesmo o Fundo Monetário Internacional (FMI) está recomendando que os emergentes atuem no câmbio.

Mantega, no entanto, descartou a possibilidade de a equipe econômica passar a taxar o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que é voltado para o setor produtivo:

- O governo não cogita taxar o IED. Não fizemos isso até agora e não pretendemos fazê-lo. É saudável que haja IED no Brasil - acrescentando:

- Os investidores produtivos são bem-vindos, mas os que trabalham no campo da especulação vão ser penalizados.

Ao ser questionado sobre a eficácia das medidas já adotadas pelo governo, uma vez que o dólar continua caindo, Mantega disse que elas tiveram sucesso:

- Se não tivéssemos tomado essas medidas, o dólar estaria hoje em R$ 1,50.

Isenção para BDRs

No mesmo decreto que estende o IOF para empréstimos de até 3 anos, o governo retirou uma cobrança de imposto que havia sido imposta às BDRs (Brazilian Depositary Receipts), papéis negociados no mercado de ações no país. Mantega justificou a medida afirmando que ela ajuda a destinar recursos para o setor produtivo:

- O mercado de capitais também é positivo para investimentos produtivos. A Bolsa tem atraído capitais que vão para a produção.

 

Fonte:
Yahoo