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ZÉLIA GATTAI E SEUS 90 ANOS: HOMENAGENS À GRANDE ESCRITORA ÍTALO-BRASILEIRA
 
 
 
 
 A escritora, memorialista e fotógrafa Zélia Gattai, filha e neta de imigrantes italianos, consagrada internacionalmente pela sua obra – onde se destacam livros como Città di Roma e Anarquistas Graças a Deus - será homenageada hoje (04/07), pelo Conselho Estadual de Cultura do Estado da Bahia. Será mais uma justa reverência e uma distinção pela passagem dos seus 90 anos, completados no domingo (02), e que vem sendo comemorado e lembrado no Brasil e no exterior.

Companheira do ícone da literatura brasileira Jorge Amado, Zélia nasceu em São Paulo, capital, no dia dois de julho de 1916, filha de Angelina Da Col e Ernesto Gattai. Seus avós integravam o grupo de imigrantes que chegou da Itália para tentar realizar, no Brasil, o sonho anarquista com a fundação da Colônia experimental socialista Cecília, no Paraná. Foi morar na Bahia com o seu amado, terra que a adotou como uma verdadeira filha.

Premiada internacionalmente, as homenagens pelo seu aniversário na verdade já iniciaram na última quinta-feira (22), com uma mesa-redonda na Academia Brasileira de Letras, onde Zélia Gattai ocupa, desde 2002, a cadeira nº 23. No domingo,  os filhos, Paloma Amado e João Jorge Amado,  organizaram uma festa no Hotel Pestana. Foi um almoço para os familiares – entre os quais nove netos e cinco bisnetos – e amigos, muitos deles freqüentadores dos círculos culturais e políticos nacionais, já que o casal Zélia-Jorge viveu intensamente seus 56 anos de história conjunta.

No dia 10, será a vez da Academia de Letras da Bahia, onde ela ocupa a cadeira 21, render homenagens à Zélia. O evento será realizado em parceria com a Fundação Casa de Jorge Amado, e inclui cerimônia celebrativa, exposição de fotos e livros, apresentação de capoeira e canto lírico com os adolescentes do Projeto Axé. No final do mês, a jornalista italiana Antonella Rosilli lançará, em Salvador, o livro Zélia de Ewa - Rodeada de estrelas, misto de biografia e ensaio literário. O livro também será  editado na Itália.

As exposições da Academia baiana permanecerão abertas ao público durante todo o mês, na sede da ABL, em Nazaré. As fotografias terão um viés biográfico Quem quiser conhecer um pouco mais da vida e obra de Zélia Gattai pode visitar as duas exposições que ficarão em cartaz na sede da ABL, em Nazaré, durante o mês. Além de exemplares das suas 14 obras, uma mostra de fotografias apresentará aspectos biográficos da vida de Zélia.

"É cada coisa que acontece na vida da gente..."

A frase, acima, resume de certa forma a simplicidade e a humildade do jeito de ser de Zélia, características que se mesclam em uma personalidade forte, de lutadora. Começou a escrever aos 63 anos, estimulada por Jorge Amado. A estréia na literatura se deu com Anarquistas Graças a Deus, em 1979, que conta a história de sua família. A obra foi adaptada para uma minissérie da rede Globo e impulsionou a sua produção. Em Città di Roma (2000), Zélia retoma o tema com novas lembranças de sua infância e juventude, vividas em São Paulo, numa família anarquista. Seus avós partiram do porto de Genova, no navio "Cittá di Roma", para o Brasil, juntamente com 150 pessoas, para fundar a colônia experimental socialista, Cecília, no estado do Paraná.

No total, Zélia já publicou nove livros de memórias (entre eles, Senhora dona do baile e A Casa do Rio Vermelho), três infantis, uma fotobiografia e um romance, todos pela editora Record. Alguns foram traduzidos para o francês, o italiano, o espanhol, o alemão e o russo. Os últimos são Códigos de família, Um baiano romântico e sensual (parceria com Paloma e João Jorge) e Memorial do amor, lançados após a morte de Jorge. "Minha mãe é uma mulher guerreira. Mesmo com a tristeza da perda, continuou produzindo, pois sabe que trabalhar é o que a faz continuar viva", afirma Paloma Amado.

No computador estão os primeiros esboços para mais uma publicação. Por enquanto, Zélia diz que não tem tido muito tempo: são muitas "solicitações e correspondências para dar conta". Ela também está às voltas com o projeto de transformar a Casa do Rio Vermelho em um museu, disponibilizando ao público um pouco da vida privada de Jorge Amado, e dela mesma. "Estou sofrendo muito com tanta burocracia. Acho importante para a memória dele e para a Bahia ter acesso ao local onde Jorge escreveu tantos livros maravilhosos e recebeu tanta gente importante", afirma, mantendo inabalável a determinação.

O amor

"O melhor romance de Jorge Amado é Zélia Gattai". Essa frase, estampada em out-doors em Salvador, resume a relação entre Zélia e Jorge Amado. O casal se conheceu em 1945, na luta pró-anistia. Zélia vinha de um casamento de oito anos com Aldo Veiga, militante do Partido Comunista, com quem teve o filho Luiz Carlos. À época, já era leitora da obra do escritor baiano.

No mesmo ano, Jorge e Zélia passaram a dividir o mesmo teto - a união foi oficializada em 1978 - e a vida. Partilharam a experiência política, o exílio, a luta pela democratização, momentos marcantes no Brasil e no exterior, freqüentaram e foram freqüentados por pessoas influentes de várias partes do mundo

Livros

Anarquistas, graças a Deus (1979)

Um chapéu para viagem (1982)

Senhora dona do baile (1984)


Zélia, no círculo, com a família. Foto: Divulgação

Reportagem incompleta (fotobiografia, 1987)

Jardim de inverno (1988)

Pipistrelo das mil cores (infantil, 1989)

O segredo da rua 18 (infantil, 1991)

Chão de meninos (1992)

Crônica de uma namorada (romance, 1995)

A Casa do Rio Vermelho (1999)

Cittá di Roma (2000)

Códigos de família (2001)

Um baiano romântico e sensual (com Paloma Amado e João Jorge Amado, 2002)

Memorial do amor (2004)

Vacina de sapo e outras lembranças (2006)



Fonte: Redação ORIUNDI